sábado, 26 de janeiro de 2013

Quero Liberdade (cap. X), de Rose Wilder Lane


X

Esse caos americano de energias humanas liberadas vem acontecendo há mais de um século, menos de metade da história passada do país. Nesse período, criou a América e tornou a América o país mais rico do mundo. De onde veio essa riqueza?

Os americanos vêm explorando os recursos naturais de metade do continente. E essa exploração continua hoje e deve voltar a se acelerar, uma vez que nossa riqueza natural não aproveitada é enorme. O potencial elétrico, por exemplo, mal começou a ser explorado. A Química acabou de descobrir um novo universo de recursos naturais. Mas só os recursos naturais não explicam nossa maior riqueza relativa, já que, enquanto os americanos exploravam a América, os europeus exploravam a Ásia, a África, a América do Sul, as Índias Orientais, as Índias Ocidentais, a Austrália e os mares do sul.

Ninguém despejou riqueza nas mãos americanas como o México e o Peru deram à Espanha. Há minas na Birmânia, na China, na velha Rússia e na Austrália, assim como em Nevada. O ouro da Califórnia não equivale ao ouro e aos diamantes da África do Sul. Há carvão e ferro na Grã-Bretanha e no Saara, petróleo quase inexaurível na Pérsia, em Mossul, no Azerbaijão e na Venezuela. As grandes florestas do mundo não estão na América. Nenhum solo na Terra é tão produtivo como os do Egito e do Sudão. O café, a borracha, o açúcar, o rum, as especiarias, o coco seco e o estanho pagam dividendos. A Índia deu algum lucro e a Indochina não deu prejuízo à França, nem as Índias Orientais à Holanda. Acho difícil pensar que os americanos exploraram mais recursos naturais que os europeus.

Não são as terras de graça que explicam nossa riqueza. A riqueza não vem da terra, mas do trabalho sobre a terra. E talvez uma população subjugada trabalhe a terra com mais diligência que homens livres. Além disso, é um erro supor que a terra neste país não custou nada.

Grandes especuladores arrebataram este solo, a crédito, e o venderam a preços altos. A fúria da especulação com títulos de terra começou antes que nosso governo fosse criado. O Congresso Continental, em uma tacada, vendeu cinco milhões de acres em Ohio. A Virgínia vendeu, em blocos de mil acres, o Kentucky, as Carolinas, o Mississipi, o Tennessee e ninguém sabe que parte de Ohio, Indiana e Illinois. Houve um crash dessa especulação na década de 1790, com falências e tempos difíceis.

Depois da Compra da Louisiana, quando o salário por doze horas de trabalho duro era de vinte e cinco centavos, o Gabinete de Terras dos Estados Unidos, em um ano, vendeu cinco milhões de acres do baixo Missouri por um preço médio de cinco dólares o acre. Os especuladores compraram e os preços deram um salto. A especulação ficou maluca pelos lotes. Os promotores os vendiam por US$ 50,00; saltaram para US$ 250,00, US$ 500,00, US$ 800,00, US$ 1.000,00. O preço das fazendas foi para US$ 50,00 o acre. A bolha estourou com a crise bancária de 1819.

O Homestead Act foi aprovado em 1862, quando apenas o supostamente inabitável Grande Deserto Americano tinha sobrado. Vinte e oito anos depois a última parte do Grande Deserto Americano foi tomada na última corrida de terras. Duas décadas depois disso, eu mesma ajudei a vender a terra virgem da Califórnia, por preços que alcançavam US$ 800,00 o acre.

Talvez a América seja o país mais rico porque os americanos tomaram tanto território e fizeram dele um único país sem barreiras ao comércio. Talvez seja porque os americanos acolheram e exploraram a revolução industrial, a ciência aplicada e as máquinas como nenhum outro povo. E talvez tenham conseguido fazer isso porque não tinham fronteiras, distinções de classe e o peso das burocracias para atrapalhar, como os europeus sempre tiveram.

O fato de que a América é o país mais rico não é em si tão importante; a Inglaterra é rica, como a França e a Holanda; como era a Alemanha de antes da guerra e o Império Austríaco. Mais importante que isso é que os Estados Unidos da América são o país com a população mais rica do mundo.

Pela lógica, o egoísmo sem barreiras deveria construir uma enorme riqueza para uns poucos e afundar as multidões na pobreza mais sórdida. A mente lógica germânica de Marx viu isso. Ele enxergava e podia contar estatisticamente uma quantidade determinada de riqueza – tangível e sólida como uma maçã. Naturalmente, ele concluiu que quanto mais a classe alta tomasse dessa riqueza menos sobraria para as classes inferiores. Os ricos ficariam mais ricos e os pobres, mais pobres.

Na verdade, neste país, aconteceu o inverso. No aproveitamento da riqueza, existe menos disparidade agora, hoje, entre o americano mais rico e o operário médio do que havia entre Jefferson e Monticello e o colono médio do extremo oeste no Kentucky.

Parece que o individualismo tende a nivelar a riqueza, a destruir a desigualdade econômica. Marx, o europeu, não podia conceber as enormes energias criativas liberadas quando multidões de homens, libertos pela primeira vez do controle econômico, saem cada um do seu jeito para obter para si a maior quantidade possível de riqueza. Certamente, essa breve experiência de individualismo não apenas criou grande riqueza e multiplicou de maneira inimaginável as formas de riqueza em bens e serviços, mas também distribuiu essas formas de riqueza num grau nunca visto e nunca igualado em outros lugares. Expressamos isso dizendo que a América tem o mais alto padrão de vida do mundo.

Isso também parece ter acontecido por acidente. Todos sabemos que não foi planejado; ninguém pretendia isso. Cada um de nós está aí para conseguir o que puder de melhor para si e para sua família, “seguindo a regra simples e o velho e bom plano de que quem tem o poder deve usá-lo e quem conseguir deve mantê-lo”.http://www.libertarianismo.org/index.php/biblioteca/234-rose-wilder-lane/1074-quero-liberdade

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